O que não é

É como se eu não estivesse.
Como se não fosse.
Como se não existisse.

E as lágrimas nos meus olhos são como o passado.
Guardadas longe da vida atual.

Porque ao seu lado, não sei existir.
Não sei falar mais.
Não sei agir.
Fico muda, sensível, carente.

Longe de ti ainda sou aquela.
Contigo não sou ninguém.

Medo que trava.
Lembranças que ecoam.
Sentimentos travados.
Coração doente.

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Coleção de mágoas

São pequenas rachaduras cobertas com massa corrida, invisíveis, desaparecidas, mas que estão ali, sob diversas camadas de uma máscara de defesa. Cada um tem as suas coleções.

Mágoas, dores, passado. A felicidade não consegue se fixar sobre elas. O terreno é escorregadio, acidentado demais para manter qualquer coisa em pé.

Guardo minha coleção bem escondida, numa caixa debaixo da cama. De vez em quando a caixa abre – não há mais espaço para novas peças.

Tento jogar as marcas que você me deu pela janela. Mas elas sempre aparecem mais uma vez dentro da caixa de sapatos. Mágica.

Mais uma marca. Mais uma mágoa. Mais uma vez a necessidade de respirar fundo e jogar tudo pra fora com as lágrimas.

Cansei dessa coleção. Não quero mais vê-la crescer.

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Tira essa esperança daqui

eu
gente, q beleza

ela
beleza????
tudo é estranho
a gal me enganou qdo disse que tudo é divino, maravilhoso

eu
tudo é divino, maravilhoso
é só a gente ver do ângulo certo

ela
não
não de novo
tá?


De vez em quando o que a gente mais quer é a falta de esperança.

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Pedaços de coração

Quando se ama… se ama. Não há nada além disso a não ser o não-amar. Porque, quando se ama, também não se ama. O amor não é um sentimento linear, não pode ser controlado, enjaulado, colocado na coleira.

O amor é livre. Ele vai e volta sem que você se dê conta de que em algum momento ele não esteve ali. Quando o amor começa a demorar para voltar é porque precisa tomar um ar, sentir o vento bater no rosto e então voltar pra casa. Amor não é tão livre assim para passar tempo demais fora, amor gosta de rotina.

Grandes gestos não são o que fazem o amor. Ele é formado de pequenos pedacinhos de vida. Um encontro, um detalhe, uma foto, um toque, um olhar. Uma imagem que fica gravada na cabeça e não sai nunca mais. Você fecha os olhos e pode ver tudo, como se fosse ao vivo. Isso é amor.

Dizem que não é possível se apaixonar mais de uma vez pela mesma pessoa. É mentira. Enquanto o amor está ali, se reinventando, pintando o cabelo, fazendo uma tattoo, pintando as unhas, é que a paixão entra. Você vê aquele amor novinho, com cara de fresco, cheirando bem. Ai você se apaixona, mas quando nota… Ops, esse era o amor velho. E não é que é mais gostoso ainda?

Amar vai além do amor e precisa do não-amar como também precisa da paixão. Amor é pegar cada pedacinho da vida e deixar que outra pessoa misture as peças sem que você veja. Amar é acordar todo dia, ver a baba no travesseiro, o cabelo amassado e não pensar em outra coisa além de “ainda bem que você é meu”.

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Olhos pesados de mágoas. Lençóis cheios de lágrimas. Peitos repletos de travas. Somos tênis solitários nos fios de alta tensão, lutando pra não cair na tentação do vento mais insistente.

Somos corpos inertes boiando na banheira de casa, escondidos dos ruídos do silêncio com ouvidos n’água.

Fomos dois e nos tornamos meio. Nada inteiro conseguiu sobreviver. Transcendemos no pior sentido, partes do etéreo mais passageiro.

Brisas sob sol escaldante. Arrepios de doença. Cortes de papel sob unhas recém cortadas.

Fomos e ninguém nos esperava no desembarque. Nenhuma placa tinha nossos nomes. Rostos sem faces olhavam em outra direção.

Achados, perdidos, fugidos. O caminho ainda é o mesmo, mas a tempestade não sopra a favor.

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ao contrário

“Você me faz querer ser uma pessoa melhor quando estou ao seu lado”

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Eu escolhi dançar

Eu dou meus passos de acordo com as minhas pernas. Minhas pernas seguem mensagens enviadas pelo meu cérebro. Meu cérebro aceita intervenções.

Sou mulher, sou mãe, sou profissional, sou amiga. Tudo separado, tudo misturado. Se falo demais sobre tudo é porque me sinto no direito.

Não falo sobre o que não sei, mas palpito. Não palpito sobre o que sei, dito as ordens. Meu caminho não tem nada a ver com certo e errado, meu caminho é feito por escolhas inconscientes.

Planos não são pra mim. A vida vai acontecendo e eu vou dançando com ela, aprendendo o que ela quer me mostrar, dividindo o que aprendi. Eu aceito o que a vida me dá porque sei que algumas pessoas podem lidar com tudo – outras preferem a preguiça.

Aprendi e aprendo a cada dia. Não preciso de grandes momentos, instituições, pessoas de renome. Aprendo com cada olhar, com cada palavra roubada de conversas alheias. Aprendo enquanto aceito e respeito.

Não preciso me desculpar por ter peito de assumir minhas responsabilidades, ter vontade de crescer e lutar por coisas em que acredito. Mas me desculpo por incomodar tanto a quem não tem coragem.

Perdão. Quando exibo meus sonhos sem medo de parecer patética, quando falo com propriedade sobre as coisas mais banais, quando tenho orgulho do que faria muitas pessoas desistirem não é pra atingir ninguém; apenas aprendi que ser feliz é aceitar os caminhos aos quais suas pernas te levam, mesmo que você não entenda.

Ao aprender a se respeitar fica muito mais fácil entender que o mundo é muito maior do que as ideias que estão na sua cabeça.

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