Novembro 11, 2008

Insuficiência cardíaca

Uma parte de mim não consegue entender. Uma parte de mim quer acreditar que tudo vai dar certo, mas não vai. Não vai dar certo porque se eu for para um lado, me magôo, se for para o outro lado, magôo pessoas queridas; se eu apenas continuar seguindo em frente, não sei onde chego, mas sei que chego faltando algumas partes, cheia de cicatrizes e machucados.

Não entendo mais o que esperam de mim. Queriam que eu fosse uma boa aluna quando criança. Eu fui. Queriam que eu fosse uma boa mãe depois de adulta. Eu sou. Queriam que eu arrumasse um namorado sério, que eu ficasse num trabalho mais que alguns meses, que eu parasse de beber e de sair tanto a noite. Eu fiz tudo que eles queriam. Eu faço. Mas e então?

Qual o direito que algum deles têm de discordar da minha maneira de ver a vida? Qual o direito de me dizer que estou errada, de acabar com tudo em que acredito? Quem disse que algum deles podia me fazer ver o mundo com os olhos deles – aqueles olhos cheios de descrença, falta de amor e sonhos destruídos?

As lágrimas caem dos meus olhos e meu coração se despedaça. Tenho vontade de correr até não conseguir mais ver nenhum deles, nenhum sinal de que eles existiram. Tenho vontade de deixar minha vontade me levar e acabar de uma vez com todo sofrimento desse corpo tão jovem. Tenho vontade de entender tudo que acontece ao meu redor. Mas é impossível.

Tudo chegou num ponto em que eu não sei mais o que é certo, o que é errado, o que é esperado. Eu queria saber. Eu queria, pelo menos, poder escolher se quero ser mais um bichinho andando junto com a manada. Talvez eu queira andar com a manada. Talvez eu até possa gostar disso. Mas eu quero escolher.

Eu não quero desistir de mim. Eu não quero desistir de você. Eu não quero desistir do que ele vai se tornar. Eu não quero desistir de nenhum deles. Mas será que ainda há alma suficiente dentro desse corpo?

Outubro 29, 2008

Aquela coisa verde

Elas são aquele tipo de gente que me faz ver coisas verdes.

Seja por um e-mail perdido no meio da tarde, com aquele jeito desleixado, cheio de palavras escritas de forma corrida – mas que eu sempre sei o que querem dizer -, apenas perguntando se eu ainda estou linda, se eu estou bem, se eu quero ir no parque de diversões. Eu sei que ela sente falta de mim como eu sinto dela, mas sei que ela corre, anda contra o tempo e faz tudo pra manter a vida nos eixos.

Seja por uma ligação no fim de semana com voz triste, um pedido de socorro, um suspiro. Só a gente pode entender aquele aperto no peito, só a gente é assim. Eu sei que ela precisa de mim o mesmo tanto que eu preciso dela, mas sei que ela corre, anda contra o tempo e faz tudo pra manter a vida nos eixos.

Seja por desaparecer em outro país, não dar notícias, não responder e-mails, não ligar e parecer que não está mais ali. Eu sei que ela está feliz, senão eu sentiria que algo está errado, eu sei que ela ainda ama a todas nós, mas sei que ela corre, anda contra o tempo e faz tudo pra manter a vida nos eixos.

Seja por uma ligação cheia de chiado, ela conversando ao fundo, falando banalidades, ligando de novo e de novo até conseguir – ‘ele está aqui, veio me ver’ -, só pra dividir a felicidade que ela está sentindo. Eu sei que ela gosta tanto quanto eu de dividir tudo que acontece na vida dela, mas sei que ela corre, anda contra o tempo e faz tudo pra manter a vida nos eixos.

Só que esses pequenos gestos me mostram que existe algo além, algo relacionado com energia, com almas, com amor, com sentimento de verdade. Elas me fazem ver aquela coisa verde, aquilo que as pessoas que ainda acreditam chamam de esperança. Elas me transformam em uma pessoa que ainda acredita.

E eu vou seguindo e acreditando que existe algo muito além do que esse mundinho medíocre. Elas sabem que eu corro, ando contra o tempo e faço tudo pra manter a vida nos eixos.

Isso se chama amor. Amor de verdade.

Outubro 26, 2008

Espasmos musculares

Você só pensa em você. Você. Essa é a pessoa mais importante do mundo, não só no momento, sempre foi. Tudo sempre foi sobre você: o quanto você é legal, divertida ou inteligente. Eu sempre senti uma vibração estranha vinda de você. Mas você estava sempre ali, eu não podia ignorar.

E em certo momento você foi divertida, você foi mais uma que passou ali e fez uma risadinha brotar, uma risadinha dessas que brotam quando um menino faz graça no farol. Sua vibração conseguiu isso, nada mais.

Porém, para outras pessoas você fazia brotas risadas verdadeiras e mostrava como era diferente, culta, descolada, moderna. Falsa. A verdade é que tudo ao seu redor era falso e de tão falso, você nunca pôde notar o que realmente importava.

Não é culpa dela, não é culpa minha. É culpa sua. Eu não escondo nada de ninguém, ela não precisa esconder nada de ninguém. E da mesma forma, nenhuma de nós duas precisa comentar. A gente vive do que as pessoas podem ver da porta pra fora, o que ninguém vê a gente conta, mas é só uma pra outra, ou pra mais duas outras que são partes de nós. Você não é, você nunca foi. Nem você nem sua vibração estranha.

Nunca foi natural, nada em você nunca foi natural, nem as conversar sobre literatura, nem as conversas de elevador, nada fluia, era falso. Você a queria, mas precisava passar por mim. Eu estive ali de figurante, dando risada. Você a queria, ela a queria, eu só precisava dar o aval com o olhar.

Vá! Eu sempre digo vá, porque eu não sou dessas que olha pra trás e sente medo de encontrar quem passou. Quem te ama, consequentemente, te respeita, te aceita; ou não te ama. Mas você não entende, porque tudo é falso e sobre você.

Ela te amou, te respeitou e eu aceitei, aceitei pelo amor que tenho por ela, uma das partes mais importantes de mim. Mas da mesma forma que eu aceitei, eu deixo de aceitar no segundo que uma lágrima cair dos olhos dela por sua causa. Mais uma vez você, trazendo coisas erradas com sua vibração estranha.

Não queria estar no caminho. Não queira fazer nada desabar. Aprenda a se amar e se respeitar, não é fácil, não foi fácil pra mim também, mas quando isso acontecer, você vai encontrar alguém que a ame e respeite, e te aceite como você é: cheia de defeitos e com vibração estranha.

Mas enquanto isso, não faça com que lágrimas caiam dos olhos dela apenas porque ele fez com que lágrimas caíssem dos seus. Ela não tem nada com isso, ela tem a vida e os problemas dela, que estão muito além de um homem machista e conservador que faz pose de moderninho por aí.

Não queira sentir o que eu sinto por você agora e faz meu sono ir embora com medo da vibração que eu sinto. Não queira entender.

Setembro 15, 2008

Eterno retorno

Eu tenho obsessões, eu gosto de vozes. Vozes e rostos. De ouvir meu nome rasgando o silêncio. Gosto de confissões, faladas baixinho ou com gritos duros e pontiagudos. Fico feliz ao ver rostos novos, sentir cheiros novos e conhecer outras mentes.

Eles transpiram juventude e são tudo aquilo que nós já fomos. São inteligentes, cultos, belos e podem ser tão grandes… talvez maiores do que podíamos. O mundo é outro. E não é mais nosso.

Sinto falta dos sonhos bobos, dos planos não cumpridos, dos amores imaginados. Sinto falta de transpirar juventude. Talvez tudo se torne igual, tão igual ao ponto de confundirmos nossas histórias com as deles.

Mesmo pensando e sentindo esse tudo, a cama ainda é fria sem você. O destino sempre sabe qual o caminho certo, mesmo que todas as histórias pareçam uma só. A mesma, e só.

Setembro 9, 2008

Furos no peito

De repente o amor tinha ido embora, ele simplesmente não estava mais lá. Ela não entendia, mas sentia.

Não era mais o peito cheio, era um pedaço arrancado à mordidas. Era sangue espalhado por todos os lugares onde ela tinha passado. Era sangue dela, dele, dela e talvez outros elas e eles. Era um caminho escuro demais para se ter essas certezas. Ela só sabia que havia muito sangue.

Partes do corpo deles que antes se grudavam e não queriam mais se soltar, como se tivessem sido preparadas juntas e cortadas em pedaços, para dividir; agora não mais encaixavam, nem mais se conheciam, não mais se encontravam. Eram apenas partes, não tinha mais o todo.

Ao fechar os olhos, não mais as imagens de cores claras e tons pastéis, agora tudo era escuro, outra hora cores vivas vibravam ao ponto de doer os olhos e fazer com que eles fossem se fechando. Abrindo-se do outro lado, onde a realidade era quase igual, apenas um pouco camuflada.

Ela sabia que algo tinha acontecido ali, mas não podia entender o que. Não lembrava. E de um momento a outro, assim, repentinamente, ela pensou: AUTOFAGIA. Aquele sangue era dela, os pedaços eram dela. Ele e as outras estavam ali, só assistindo, olhando de rabo de olho. Ela, a louca, havia se despedaçado, acabado com seu próprio corpo.

Tudo porque pensou. Tudo porque não pensou. Tudo porque sentiu. Demais.

Agosto 30, 2008

Manifesto mulherzinha

Ser mulher é fácil, o difícil é ser mulherzinha. Não no sentido pejorativo da palavra, que uma mulher usa para falar da outra, mas no sentido bom, aquele cheio de orgulho e motivação.

Ser mulherzinha é mais do que ser mulher porque exige mais trabalho: mulherzinhas não se contentam com pouco, com o mediano; suas vidas precisam ser incríveis para que seja possível viver.

Nós não aceitamos apenas ser inteligentes, nós queremos ser bonitas também. (Aquele papo de que mulher bonita não é inteligente e que mulher inteligente que dispensa a beleza deve ter sido criado por uma mulher com muita feiúra e pouco amor próprio; o que não existe em uma de nós)
Choramos em filmes de amor, músicas no rádio do carro/mp3/walkman ou lendo jornais diários, mas em um segundo podemos nos recompor e dar ordens a um exército: somos eficientes e sabemos dividir os momentos.

Queremos amor, mas respeitamos nossas crenças.
Aparamos arestas, mas limitamos isso a um ponto médio: nunca deixamos de ser nós mesmas e jamais traímos nossa verdade.
Temos liberdade sexual e sabemos como usá-la. Conhecemos nosso corpo e respeitamos os limites dele. Não afunilamos nossas opções, temos a mente aberta e nada nos assusta.

Somos profissionais sérias, dedicadas e competentes. Gostamos do que fazemos e temos prazer em nosso trabalho. Não somos workaholics, sabemos que a vida nos oferece muito mais do que só trabalho.
Fazemos compras, mas não nos endividamos. (Só em algumas ocasiões especiais)
Sabemos cozinhar, mas não vemos problema em pedir comida por telefone ou pela internet quando estamos com preguiça.
Somos eternas garotas. Rimos, nos divertimos e não sentimos culpa por isso.

Somos cultas, nunca prepotentes.
Somos divertidas, nunca banais.
Somos orgulhosas, nunca esnobes.

Temos amigas que queremos por perto, mas não somos dependentes.
Somos seguras, mas nos permitimos sentir insegurança quando achamos que vale a pena.
Erramos e assumimos nossos erros: sabemos pedir desculpas, mas não nos desculpamos apenas por obrigação.

Temos fé, lemos horóscopo e jogamos tarot, mas acreditamos, acima de tudo, em nós mesmas.
Fazemos escolhas e nos arrependemos. Mudamos de caminho de cabeça erguida.
Somos racionais e passionais, só depende da hora ou do dia.

Nos amamos, nos respeitamos e não gostamos de ser contrariadas, mas nada disso nos obriga a usar tons altos e agudos.
Somos felizes. Temos problemas, desafios e dias péssimos, mas não nos abatemos: somos mulherzinhas!

Não temos vergonha de dizer que somos assim e acreditamos nisso tudo, que pode parecer uma grande besteira. Somos mulherzinhas.
E você? Já assumiu que também é?

Agosto 29, 2008

Declaração de amor

Ela:  oie!
eu acabei de mandar um email pra vc…
mandei pra vc e soh pros meus melhores amigos dai do brasil…

sabe pq mandei pra vc?
pq eu tenho a impressao de que se tivessemos convivido mais tempo juntas (e se nao tivessemos alguns empecilhos no meio do caminho… hahaha) a gente ia ser muito mas MUITO amigona mesmo

te vejo como minha melhor amiga em potencial

Ohn. Isso faz meu dia ser tão melhor. Quero todas as pessoas do bem perto de mim em 3. Um, dois, três!

Junho 4, 2008

coisa de menina

Às vezes meu coração quebra em tantos pedacinhos que eu acho que nunca mais vou conseguir juntá-lo. O pior é saber de quem é a culpa disso. O pior é saber bem demais de quem é a culpa disso.

Bipolar? Beijo não me liga.

Junho 2, 2008

o amor…

Eduardo Ribas diz:
quer ver o myspace do meu antigo grupo de rap?
Carol diz:
seu antigo grupo de rap?
Eduardo Ribas diz:
é
Carol diz:
eu nao sabia q vc tinha um grupo de rap
Eduardo Ribas diz:
faz tempo
velhas histórias
nda deu certo…coisa do passado
Carol diz:
e q foto horrível
Eduardo Ribas diz:
né?
Carol diz:
e vc nunca me contou
eu sempre te conto tudo, da vida toda
Eduardo Ribas diz:
eu tento esquecer, na verdade
Carol diz:
me senti meio…traida
Eduardo Ribas diz:
huhaahuauahauhuaha
Eduardo Ribas diz:
vc é a pessoa mais sentida do mundo, né?
Carol diz:
eu sou
Eduardo Ribas diz:
eu tava no dia que tiraram a foto e me colocaram, MESMO EU NÂO SENDO DO GRUPO!
besta
Eduardo Ribas diz:
só queria ver no que ia dar essa história
e eu que adoro inventar história
mas como a drama-queen fica chateada, eu paro! Rs
Carol diz:
vc q veio falar q tinha um grupo
Eduardo Ribas diz:
pra ver se vc acreditava, oras
e como tem eu na fotinho, fica such a beatiful lie!
Carol diz:
vc é um cuzão
Eduardo Ribas diz:
drama-queen!
Carol diz:
cu-zão
Eduardo Ribas diz:
drama-queen com dancin queen do Abba de fundo e td

Maio 8, 2008

Não, eu não morri

E pra melhorar, posso ser encontrada aqui e aqui.

Divirtam-se!