São pequenas rachaduras cobertas com massa corrida, invisíveis, desaparecidas, mas que estão ali, sob diversas camadas de uma máscara de defesa. Cada um tem as suas coleções.
Mágoas, dores, passado. A felicidade não consegue se fixar sobre elas. O terreno é escorregadio, acidentado demais para manter qualquer coisa em pé.
Guardo minha coleção bem escondida, numa caixa debaixo da cama. De vez em quando a caixa abre – não há mais espaço para novas peças.
Tento jogar as marcas que você me deu pela janela. Mas elas sempre aparecem mais uma vez dentro da caixa de sapatos. Mágica.
Mais uma marca. Mais uma mágoa. Mais uma vez a necessidade de respirar fundo e jogar tudo pra fora com as lágrimas.
Cansei dessa coleção. Não quero mais vê-la crescer.