Março 29, 2009...2:00 pm

Tum tum, tum tum

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Ela não se sentia pior. Nem melhor. Era apenas mais uma. Outra barata tonta dando cabeçada em portas e pés, fugindo de pisadas mais duras, que podiam acabar com a sua carcaça já machucada demais. Mas não era fácil.

Bastava um momento em que parava para respirar e lá vinha outro choque. Um baque mais forte, que ela não havia esperado. Voltava a correr com o ar se esforçando para lhe dar força. Era tão difícil.

Naquela noite a pisada tinha ido um pouco mais fundo. Sentiu uma parte de si quebrando. Algo que ela não entendia o que era, porque até então não sabia que existia uma coisa estranha daquelas dentro de si. Era mole, quente.

A sensação não foi ruim. Quebrou, mas relaxou. Fez ter vontade de sorrir e andar um pouco mais devagar, quem sabe aceitar a companhia de outra barata tão tonta quanto ela. Uma nova barata com histórias diferentes e talvez iguais. Existia outra assim?

“Quero isso todos os dias”. Ela preferiu correr mais uma vez, afinal, sem saber o que era aquela coisa mole e quente – que agora pulsava ritmadamente – era melhor se proteger. Ninguém sabia o fim daquilo. Mas ela sabia que era hora de voltar para o esconderijo secreto embaixo da terra. Lá, pelo menos, nada se chocaria contra ela e amoleceria sua carcaça já tão machucada.

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