Segura a porta com o pé, olha uma para as outras, sente o cheiro de mais um dia de problema vitorioso. É só mais uma noite, só mais um velho safado, só mais uma vez em que respirar profundamente é obrigatório para seguir em frente.
A noite passa como um daqueles carros em alta velocidade de filme de Hollywood, só uma marca borrada na paisagem. E então uma mão grande encosta em seu pescoço e ela agora não é mais três.
É uma e derrete, as pernas bambeiam e a boca saliva por um pouco de emoção. As mãos descem por seu ombro e suas costas, os olhos se cruzam e uma boca quente toca a sua.
Não lembra mais das linhas brancas, do velho safado, das outras duas, de inspirar profundamente, de precisar seguir em frente. Está ali. Quer continuar ali. E o sol que não se atreva a aparecer.
Fecha as cortinas, liga o ar condicionado no mais forte que dá, cerra os olhos e vê apenas formas perto de si. Sente. Tudo a toca, todas as energias mexem com seu corpo, seus movimentos.
Prende a respiração. Sua boca seca, suas mãos tremem, suas pernas não tem mais firmeza. Ela toma coragem e abre os olhos; os vultos desapareceram. Não tem ninguém ali, só uma marca de mão queimando em sua nuca.