Maio 11, 2007...4:59 pm

Versinhos iniciantes

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Um

Palavra gritada
sem som
Puta casta
num mundo só
Tão fria
no calor dar nuvens
Tão calma
no sentir dos homens
Interna, maldita
bendito silêncio
voz sem cor

Dois

Para o inferno os bons sentimentos
Para o inferno a vermelhidão das palavras
Quero os olhos turvos e empoeirados
cacos de vidro e pés descalços
pulsos, punhos e mentes cerradas
sentimentos acres, pássaros negros
Para o inferno a beleza do que já não existe
Para o inferno eu, que te mando ao inferno
Que seja real e apodreça
Que seja duro e maldito
Que não doa e eu simplesmente esqueça

Três

Os olhos dele me olham
sem permissão e sem desejo
Os olhos dele me desenham
apenas quando não estou
apenas quando estou demais
Os olhos deles não saem dos meus
mesmo quando já saíram de mim

Quatro

Olhos, pernas, bocas
dançantes
dormentes
tocantes
Olhos, pernas, bocas
cruzam
tocam
somem
Olhos, pernas, bocas
eterno
momento
razão
Olhos, pernas, bocas
passou
foi
ficou

Nós dois

O coração noturno sonha com o laranja,
perde o corpo do sono, delicada ruína,
sente o cítrico vento terroso
e perdoa o dia por seu espírito

Segue ao finito espaço que conhece,
ignora delírios violetas
volta-se ao que foi
e desiste de seguir sua própria cor

Plataforma

Suor abafado
Corpos tocam-se inesperadamente
Com delicado atrito as pernas se enroscam
e observam
São dois, são vários, são só corpos
Os olhos da noite, multicolores e cansados,
Mostram-se e escondem-se - fixos
Mas só até a próxima parada

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