Março 6, 2007...2:37 pm

A mão dela e a mão minha

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O toque da pele remetia à todas aquelas noites de mãos dadas, o quarto escuro e a cantoria que só terminava quando uma delas dormia.

Era uma sensação boa, como voltar ao útero, o cordão umbilical se religar e trazer conforto e proteção.
Foi assim durante anos, a mão dela e a mão minha, grudadas, presenciando segredos inconfessáveis, sussurrados à luz da tv.

Depois aquela mão foi embora, deu lugar à outras; mas nenhuma se comparava àquela. As pernas entrelaçadas nunca mais foram tão confortáveis, nunca mais as mão mantiveram a temperatura exata para ficar unidas por horas a fio sem suar.

Ela se foi.

Ficou a lembrança cravada no peito, a dor das noites solitárias e os segredos calados.
Restou a esperança de um dia entender a partida, ficou o som da respiração abafada pelas cobertas.
Ficou um pouco de perfume - mesmo que só nas lembranças mais escondidas - como na música que mais cantávamos naqueles dias.

“Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas…”

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