Janeiro 26, 2007...4:59 pm

A máfia das mães

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Hoje fui numa reunião de pais, mas pela primeira vez na vida eu não era o tema, eu era a mãe.
Essas reuniões são estranhas, ainda mais quando seu filho vai pela primeira vez na escola e você está apavorada com a idéia de quão cruéis as crianças podem ser.
Mas a pior parte de tudo isso são as mães, aquelas mães que já se conhecem e guardam lugar uma pras outras.

Quer vocês acreditem quer não, elas tem uma máfia!

É tudo muito organizado, você nota quem está comandando o movimento todo, quem é a grande mafiosa delas.
Enquanto o diretor fazia uma palestra de apresentação da escola, a chefe puxava um assunto. Parecia que tudo era decidido apenas com a troca de olhares.

Olhar longo para a direita: férias. Olhar longo para a esquerda: maridos. Olhar perdido no horizonte: a novela (qualquer uma delas).

O único assunto proibido eram os filhos, afinal não se pode competir quando há um certo grau de hierarquia. Vale tudo, desde o carro novo daquela mãe que parece uma vagabunda até a nova mãe - que é nova demais pra ter um filho de três anos - que apareceu este ano.

Alguns olhares me focaram muito tempo, e eu estava de calça, camisetinha branca e salto alto. Maquiada. Com cara de quem estava trabalhando. Talvez tenha sido esse o problema… eu tinha cara de que trabalhava.

A maior parte delas vestia roupas descompromissadas, chinelinhos e estava toda verão, com direito a marquinhas de biquini, é claro.

A máfia das mães me fez lembrar meus tempos de colégio, naquele mesmo auditório, com aquele mesmo diretor falando. Na época eu só ouvia ‘blábláblá blábláblá’ e não fazia questão de nada mais que isso. Hoje eu tentei escutar, afinal é a vida do meu filho, mas eu só ouvia ‘blábláblá blábláblá’, mas dessa vez era na voz das mafiosas, a voz dele eu só ouvi mesmo quando ele disse ‘obrigado’ e elas fizeram questão de bater palmas.

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